Aldeias do Interior


Marialva (Mêda)

A presença humana em Marialva é antiga. Foi denominada por Civitas Aravorum (Cividade dos Áravos) pelos romanos, mais tarde por São Justo pelos godos, de seguida Malva pelos árabes e finalmente rebaptizada para Marialva por Dom Fernando Magno de Leão (Castela) em 1063.

Dom Afonso Henriques encontrou-a a abandonada e ordenou o seu repovoamento dando-lhe o foral em 1179. No reinado de Dom Dinis recebe a feira de três dias ao 15º dia de cada mês (1286) assim como algumas obras no castelo. Recebeu o título de condado (1440) sendo Dom Vasco Fernandes Coutinho o primeiro Conde de Marialva. Mais tarde foi elevada à condição de marquesado atribuída a António Luís de Meneses que já ostentava o título de Conde de Cantanhede. Com a tentativa de regicídio caiu em desgraça e abandono já que à altura era seu alcaide o Marquês de Távora. Foi sede de concelho até 1855.

Marialva é constituída por três núcleos distintos: a Cidadela - vila no interior do castelo, os Arrabaldes – restante vila do lado exterior da muralha, e a Devesa - campos que se estendem até à Ribeira de Marialva. No interior das muralhas (embora em ruínas) ainda se consegue observar o revestimento a calçada portuguesa de granito bem como o pelourinho e o que resta de alguns edifícios.

Pontos de interesse: Castelo, Pelourinho, Antiga Casa da Câmara (Tribunal e Cadeia), Igreja da Misericórdia (ou Igreja do Senhor dos Passos) e Igreja Matriz (Igreja de Santiago), sepulturas nas rochas, Casa do Leão, Solar dos Marqueses de Marialva, entre outros.

Penedono

Penedono não pertençe à rede oficial das Aldeias Históricas mas poderia perfeitamente estar incluído. As fundações do belíssimo castelo remontam ao século X (embora o seu formato actual seja dos finais do século XIV). Foi ao longo dos anos abandonado e deixado em ruínas até receber em 1940 importantes obras de requalificação nas muralhas e torres ficando o interior vazio por recuperar.

O nome deriva provavelmente de Pena do Dono ou seja Penha ou Castelo pertença de Dono sendo o último um apelido corrente no século X.

A vila está situada numa colina na fronteira da Beira e tem um traço urbano de raiz medieval distribuído em redor do castelo que culmina na parte mais alta do centro histórico da vila.

Pontos de interesse: Castelo, Torre do Relógio, Centro de Interpretação de Penedono, Pelourinho, Paços do Concelho, Torre do Relógio (Solar dos Freixos), Igreja Matriz de São Pedro, Capela de São Salvador, Capela do Calvário, Capela de Santa Bárbara, Fontanário Quinhentista, Fonte de Mergulho, entre outros.

Trancoso

Cidade situada entre os rios Douro, Côa e Mondego foi praça-forte importante e muito disputada ainda antes da fundação de Portugal. Fernando Magno (Rei de Leão e Castela) repovoa o lugar em 1033 e integra-o no reino da Galiza anos mais tarde.
Em 1139 os árabes regressam e tomam a cidade destruindo as muralhas terminando definitivamente esta ocupação com a conquista em 1160 por Dom Afonso Henriques o qual lhe concede foral. Este é mais tarde confirmado por Dom Afonso II o que permite reconstruir o perímetro muralhado.

Com intensa actividade comercial e consequente desenvolvimento Dom Afonso III ganha interesse por Trancoso criando a Feira Franca de Trancoso, com periodicidade anual. Em 1306 Dom Dinis segue-lhe o modelo criando outra mensal com a duração de três dias. Ainda hoje as feiras de Trancoso desempenham um papel importante atraindo muitos visitantes todas as semanas, sendo as de Ano as mais concorridas. A cidade foi escolhida como palco do casamento entre Dona Isabel de Aragão e Dom Dinis (que decide ampliar as muralhas) o que atesta bem a sua importância.
Ao longo dos séculos muitos outros eventos e personalidades contribuíram para a sua importância, sendo elevada â categoria de cidade em 9 de Dezembro de 2004.

Pontos de interesse: Castelo, Portas do Castelo, Muralhas, Casa do Bandarra, Igreja de São Pedro (túmulo de Bandarra), Igreja de Nossa Senhora da Fresta, Centro De Interpretação Judaica Isaac Cardoso, Poço do Mestre, Judiaria de Trancoso, Casa do Gato Preto, Capela de São Bartolomeu (painel de azulejos das Bodas Reais), Pelourinho de Trancoso, Sepulturas Rupestres, entre outros.

Linhares da Beira (Celorico da Beira)

Acredita-se que terá originado num antigo castro que aqui esteve no primeiro século mas o seu nome deriva muito certamente dos campos de linho (linhares) que por aqui havia.
Ponto estratégico de vigia foi ocupada por Visigodos e Muçulmanos tendo passado para o Reino de Portugal com Dom Afonso Henriques que lhe concedeu o primeiro foral em 1169. A primeira referência histórica ao castelo remonta ao final do século XII no reinado de Dom Sancho I (final do século XII) altura em que eram alcaides do Castelo de Linhares e do Castelo de Celorico os irmãos Rodrigo e Gonçalo Mendes, respectivamente.
Reza a história que estando cercado Celorico pelas forças de Leão e Castela, Rodrigo lhes acudiu atribuindo a vitória a *Nossa Senhora dos Açores à qual foi erigida uma capela a meio caminho entre Celorico e Linhares**.

Já com as fronteiras estabelecidas Linhares continua a ter relevância estratégica até ao século XVII já que era parte do sistema defensivo da Bacia do Mondego na retaguarda das fortificações da raia beirã.
Finalmente com a paz no reino o castelo perdeu a sua relevância caindo em desgraça e manifesta ruína. Apenas depois de receber a classificação de Monumento Nacional foram encetadas grandes obras de restauro que se alongaram durante vários anos restituindo-lhe o aspecto majestoso de hoje em dia.

A aldeia está localizada numa encosta da Serra da Estrela e é composta pelo castelo assente num cabeço rochoso (a cerca de 820m de altitude) com o aglomerado urbano a estender-se para Sul.

Pontos de interesse: Castelo de Linhares, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Assunção (de raíz românica com 3 obras atribuídas a Grão Vasco), Igreja da Misericórdia, Pelourinho, Antiga Casa da Câmara (Tribunal e Cadeia), Fonte de Mergulho e Fórum, Solar Corte Real (século XVIII), Solar Pina Aragão (século XVI)

Belmonte

À semelhança de quase todas as outras também a vila de Belmonte está elevada e assente no panorâmico Monte da Esperança (antigos Montes Crestados).

Também aqui acredita-se que o Homem terá ocupado estas terras desde a pré-história. Dom Sancho I ordenou o seu repovoamento concedendo-lhe o seu primeiro foral em 1199. Anos mais tarde edifica-se o castelo sendo que nessa altura já coexistiam duas igrejas e uma sinagoga.

No século XV é doado o castelo e rendas a título hereditário a Fernão Álvares Cabral. Belmonte é cidade berço do navegador Pedro Álvares Cabral (de quem Fernão era o pai) e está também ligada a uma importante parte da história dos judeus sefarditas, sobretudo com o estabelecimento dos marranos,
A perseguição da Inquisição na Península Ibérica à comunidade judaica, obrigou a que estes fugissem ou se convertessem ao cristianismo. Dos que ficaram em Belmonte destacam-se os marranos uma comunidade criptojudaica que mantem a prática do culto em segredo e que só se viria a assumir em 1920.

Pontos de interesse: Castelo, Torre de Centum Cellas, Igreja Matriz da Sagrada Família, Igreja de Santiago, Capela do Calvário, Capela de Santo António, Sinagoga.

Piódão (Arganil)

Situada na Serra do Açor diferencia-se de todas as outras por não ter uma muralha, um castelo ou outro qualquer vestígio de arquitectura militar. É a aldeia que está mais a Oeste de todas e como tal não terá sido um território alvo de disputa. O que não faz menos antiga pois este povoado terá tido a sua origem ainda na época da Idade Média. Estima-se que durante o século XIII aqui se fixaram os pastores lusitanos na dureza da serra procurando os seus férteis cursos de água.

Piódão não tem castelos mas tem muito xisto (a pedra predominante na região) o que lhe conferiu também o estatuto de uma das Aldeias do Xisto mais populares. E por isso surge frequentemente como imagem ou postal das Aldeias do Xisto com as enumeras casas de xisto com janelas e portas pintadas a azul arrumadas em forma de anfiteatro numa das encostas da Serra do Açor.

Pontos de interesse: Núcleo Museológico do Piódão, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, Capela de São Pedro, Capela das Almas, Praia Fluvial do Piódão, Percurso Pedestre PR2 ARG “Os Povos das Ribeiras de Piodam" (10km ou 6km para PR2-1)

Castelo Novo (Fundão)

Localizada a 650m de altitude numa encosta da Serra da Gardunha tem uma preservada estrutura urbana e um traçado concêntrico coroado pelo castelo, próprio de uma aldeia medieval.

É também de origens muito antiga estimando-se a presença do Homem neste território desde a Idade do Cobre.
O povoamento está documentado desde as fundações da Nacionalidade no entanto o primeiro foral terá sido concedido apenas no inicio do XII século aos Cavaleiros Templários ou a Dom Pedro Guterres o seu primeiro alcaide.

Designada então por Alpreada o seu topónimo muda para Castelo Novo (por oposição a um Castelo Velho ali ou próximo) quando Dom Pedro Guterres doa as terras aos Templários depois de aí ter edificado o castelo.
Dom Dinis concede-lhe o segundo foral e mais tarde o castelo é reabilitado por ordem de Dom Manuel I que também lhe atribui em 1510 os seu terceiro foral. Foi concelho até 1835 sendo por essa altura integrado em Alpedrinha e mais tarde os dois no concelho do Fundão.

Pontos de interesse: Castelo, Núcleo Arqueológico de Castelo Novo, Antiga Casa da Câmara/Paços do Concelho, Igreja Matriz de Nossa Senhora da Graça (século XVIII), Igreja da Misericórdia (século XVII), Capela de Santa Ana (século XVI ou XVII), Capela de Santo António (século XVI), Capela de São Brás (século XVI), Capela do Senhor da Misericórdia (século XVII), Pelourinho, Lagariça (século VII ou VIII), Chafariz D'El Rei (século XIV) Chafariz da Bica (século XVIII), Praia Fluvial.



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