Dois anos de Coiso


Actualização do segundo ano de Coiso que foi também um ano totalmente atípico e que figurará com certeza nos livros de História.

Ora então, neste passado ano fizemos um total de 8000 quilómetros a passear de Coiso... precisamente metade do que fizemos no ano anterior. Até meados Março de 2020 (estado de emergência decretado a 18) andámos ao ritmo habitual a aproveitar os fins-de-semana de bom tempo. No final de Fevereiro aproveitámos os dias de Carnaval para fazer quatro dias pelas Aldeias do Xisto (e que bem soube).

em Côja na Rota das Aldeias do Xisto

E depois chegou a pandemia e o confinamento. E assim ficou a Spyder estacionada na garagem, sendo que só voltou a sair numa tímida volta (uns 50 quilómetros) no final de Maio quando já era permitido e possível.

Estava prevista uma viagem em Junho aos Pirenéus que face ao estado de pandemia no país vizinho achámos melhor adiar.

De modo que em Junho voltámos às voltinhas no formato de um dia e marcámos um breve encontro no Cabo Espichel com outras Spyders.

Mas o medo continua e evitámos ir para muito longe, bem como estadias e frequentar restaurantes.

Em Agosto reservámos uma semaninha só para rolar de Coiso e tirar a barriga de misérias...

Ficámos em Figueira de Castelo Rodrigo em casa da família e a partir daí fizemos três circuitos: a região do Nordeste Transmontano, as Aldeias Históricas e a Serra da Estrela. Tivemos um pouco de azar em Trás-os-Montes onde fomos brindados com chuva durante metade do percurso. Mesmo assim valeu a pena, ficámos admirados com a beleza da Terra Fria e com vontade de repetir o roteiro com tempo melhor. A Serra da Estrela e as Aldeia Históricas também não desiludiram, mas tratavam-se de lugares que já conhecíamos, embora nunca os tivéssemos visitado de Coiso.

em Moimenta durante a Rota da Terra Fria

A Spyder esteve sempre à altura, fizesse frio ou calor, chuva ou Sol. Em Trás-os-Montes andou por todo o lado nem mesmo as calçadas graníticas desacertadas nos impediram (com um encosto do "nariz" aqui ou ali) de explorar as ruas de algumas aldeias perdidas no tempo.

No final de Maio aos 20.000 quilómetros, mesmo depois do fim do confinamento foi necessário trocar o pneu traseiro.
Ainda fazia mais uns 1000 ou 2000 mas dado que as pastilhas traseiras estavam no limite tratou-se de mudar tudo de uma só vez. A troca foi feita na Benimoto, claro. Ainda tentei que me arranjassem o modelo novo de pneu (Kenda Kanine KR20) que tinha acabado de chegar ao mercado americano. Mas o importador ainda deve ter um stock grande do modelo antigo (Kenda KR21) e foi apenas esse que me conseguiram arranjar (à data ainda é o modelo antigo que vem montado nas Spyders novas. Este novo modelo também é especifico para a Spyder mas dizem ter melhor comportamento e maior durabilidade.

vídeo promocional dos Kenda Kanine KR20

20 mil quilómetros não impressiona ao nível de durabilidade. Verdade que não é um pneu de carro (apesar de ter o formato) mas parece que o pneu é "mole" demais. Tenho cuidado de ter o pneu traseiro à pressão recomendada (28 PSI) e mesmo assim o desgaste é todo feito no meio do pneu. Dá impressão que quando roda deforma e faz efeito de balão. E claro há malta a quem este pneu não chega aos 10 mil quilómetros e há outros que passam os 30 mil antes dos trocarem. Nesse aspecto é igual às motas, o modo de condução e peso influenciam a vida do pneu.

E se os 20 mil quilómetros não surpreendem o que decepciona mesmo é o valor... 250 Euros.
Está certo que a máquina é exclusiva e que o pneu é também exclusivo, mas estes valores são para pneumáticos para automóvel já na faixa do "muito bom". Não me importava de pagar este valor por um pneu excepcional, coisa que estes Kenda não são. A partir dos 18.000 quilómetros o pneu começou a fugir com facilidade, razão também pela qual não o levei ao limite... Então e um pneu de carro não dá?... Dá pois! Mas as opiniões dividem-se relativamente ao seu uso, há defensores a dizer que absolutamente que não e há outros que afirmam que é do melhor que há...
Uma coisa é certa, este KR21 será o último. Vamos ver qual o feedback dos novos (KR20) e quem sabe talvez até um bom pneu de automóvel com as mesmas dimensões.

Já em casa, com o pneu trocado, reparei que a correia andava um pouco "por todo o lado", quando deveria estar encostada ou a não mais de 1 milímetro do interior da cremalheira traseira. Estava claramente desalinhada, resultado de ter sido mexido o eixo.
Podia ter levado novamente a Spyder à Benimoto mas preferi fazer o trabalho eu mesmo, até por que já tinha lido um pouco sobre o tema. O eixo tem dois esticadores, um do lado esquerdo (para a tensão) e um do lado direito (para o alinhamento). No reaperto o eixo tem tendência para chegar à frente do lado direito o que afecta o alinhamento. No caso do Coiso era facilmente visível este problema pois o esticador do lado direito estava "solto" ou seja, sem que o eixo estivesse encostado ao mesmo. Assim foi só necessário aliviar o eixo e reapertá-lo garantindo sempre que o mesmo não deslizava e se mantinha encostado ao esticador. Depois, apertar tudo ao binário recomendado. Aproveitei para reapertar também as pinças de travão que me parece também foram apertadas a olho. Só me faltava uma coisa: ver se a tensão da correia estava no valor recomendado. Para tal mandei vir um medidor de tensão que me permitiu verificar que a tensão se mantinha correcta (cerca de 244Nm). Tipicamente quando se tira o eixo, e se não se mexer nos esticadores, nada se altera. Só há que ter o cuidado de certificar que o eixo está encostado aos mesmos quando se reaperta.

correia certinha encostada ao interior da cremalheira

Relativo à pastilhas estavam mesmo nas últimas, já ligeiramente para lá do milímetro mínimo que recomendam. Foram trocadas por outro jogo original (da Brembo) ao custo de 55€ que me parece normal. Também nada a dizer relativo à durabilidade: é um travão que trabalha bastante até porque a caixa é semiautomática e embora permita redução manual a maior parte do tempo deixo que seja a caixa a fazê-lo e portanto há muito menos travão de motor. Curiosamente, e ao contrário das duas rodas (onde sempre trocava dois jogos de travão traseiro por um da frente) o sistema da Spyder tem um desgaste bastante homogéneo sendo que as pastilhas da frente duram apenas um pouquinho mais.

Estava quase a 1 milímetro mínimo à frente antes da nossa semana de Agosto pelo Norte, pelo que decidi que seria melhor trocar as pastilhas à frente (com mais ou menos 22 mil quilómetros). A Benimoto estava fechada para férias de modo que resolvi meter mãos-à-obra e aproveitei também para experimentar um jogo de pastilhas diferentes das originais, as EBC muito populares e recomendadas por vários. Totalmente sinterizadas (e não orgânicas) têm melhor desempenho nas mais variadas condições de chuva ou alta temperatura. A troca foi rápida, o maior trabalho está em levantar a Spyder do chão e retirar as rodas. Aproveitei também para usar uma pasta própria para eliminar os guinchos de travão que se ouvem normalmente em dias de calor (e até ver parece que funciona) e que se coloca entre a pastilha e o êmbolo.

O Coiso terá também de ir à revisão. Este ano mais por tempo do que quilometragem (recorde-se as revisões são anuais ou aos 15.000 quilómetros). Mas estou em dúvida se farei também eu próprio a muda, terei de ver se consigo arranjar um kit de mudança de óleo na Benimoto. De qualquer forma como ainda falta bastante para o limite dos 15.000 quilómetros não há pressa.

Uma nota rápida para o "Spyder Pin Program". Uma gentileza da marca que oferece aos seus clientes (mediante prova) um pin aos 10.000, 50.000 e 100.000 quilómetros... Pedimos o de 10 mil que é o único que nos assiste neste momento (embora já tenhamos passado o dobro). Achávamos que este programa não se aplicava a Portugal mas estávamos enganados, ao cabo de um mês e picos chegou a casa uma carta e a respectiva lembrança. Muito simpático da parte da BRP, mesmo que a carta nos chegue escrita em espanhol.

Em termos de Coiso nada a dizer. Até agora nenhum percalço e tem continuado a proporcionar-nos bons momentos memoráveis... Os consumos continuam na mesma: na ordem dos 6,75 litros aos 100 quilómetros. Recorde-se, mais de 90% de condução a dois (no conjunto não serão menos de 150kgs de carga) com uma boa quantidade de autoestrada pois residindo na região de Lisboa acaba por ser inevitável. Nos últimos 3000 quilómetros voltámos a ligar o modo de condução ECO com mapa de aceleração mais conservador e indicador de passagem de caixa. Devo dizer que se nota menor consumo (qualquer coisa à volta de meio litro) mas apenas em ritmo de estradas nacionais. Em autoestrada fico com impressão que a diferença não será grande pois os consumos escalam aos 7 litros.

estatísticas desde o primeiro dia

Em suma, só fica a pena de não termos desfrutado mais mas vejamos o que o resto do ano nos reserva e como será o próximo. Para já vamos gerindo a situação o melhor possível rodando por este Portugal fora sempre que for possível



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